Quero uma casa colorida para você. Para que não tenha nenhum desgosto. E quando o sol estiver se posto você possa se refugiar no quarto verde clarinho. Mas se algum dia logo pela manhã não se sentir pronto para a tribo lá de fora, melhor você se proteger no quarto amarelo clarinho, sem sangue, sem objetos descartáveis espalhados pelo chão e sem vestígios de camisinhas sujas usadas violentamente contra a vontade do outro.
Se a tarde lhe encontrar bem disposto e desejar mostrar ao mundo seu belo rosto então poderá sair vestido de coragem passando pelo corredor da boa vontade que propositalmente pintei de azul clarinho. Você pode sair como se fosse um anjo e ao sentar no sofá da sala seja para amarrar os sapatos ou recuperar os ares da graça respire bem fundo que lá fora há os corredores do mundo, muitos são mais que imundos, são obscuros.
Se desejar poderá levar para o mundo um pouco das cores da nossa casa. Cores do chá que acalma. Contribuir com as cores do bem estar. Contribuir com as cores do amor pelo outro. Espalhar daquelas cores em que tudo que pensávamos que sabíamos possui também cores diferentes. As cores não moram só nos olhos da gente. Como se as cores possuíssem elos diversos e inteligentes com suas delicadas versões mesmo não sendo tão transparentes. ------------------------------------------------ Marília L. Paixão