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Estilhaços sem Dali - Bviw

 

 

 

A tela dividia o homem em dois toda vez que era olhada. Por vezes o dividia em três.Graça decidiu parar de olhar. Não era um desenho seu e aquela arte parecia sinistra.

 

Ao redor pessoas discutiam por nada, por tudo, talvez até por cores sem nomes. Graça olhou mais uma vez para a tela. O homem diminuía e aumentava e seu rosto distorcido ria.

 

Queria sair dali e Dali talvez entendesse o significado das imagens. Mas sair sem levar a mãe junto, não poderia. E a mãe discutia com o homem.

 

-- Você deve pagar suas próprias contas

-- Para você não se importar, eu devo ser um filho falso .

 

Graça gostaria de mudar o canal daquele filme triste. Mas tão impossível como mudar a tela em que o homem crescia e se multiplicava, pensou em apertar o play.

 

Foi quando ele saiu da imagem distorcida para a real feito um touro disposto a lutar com quem estivesse em seu caminho. No caso de Graça, cuja preocupação era a mãe, perdera só as imagens. Imagens do homem que já fora bom. O homem que deve lidar com suas distorções.

 

Seus calçados se livram das meias onde sentimentos não existem e suas meias não se livram de seus passos vazios. De nada vale múltiplas sabedorias, zero sensatez e zero amor.

 

 

 

 

 

 

 

 

Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 24/01/2024
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Comentários
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Jessica Rodrigues
Metafórico, um tanto enigmático ou filosófico até...Chega a ser instigante o final, parabéns.
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Ieda Chaves Freitas
Quanta trama nesse conto impressionante de bem construído. Bravo! Bia tarde, Marília.
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Djanira Luz
Gostei do jogo com as palavras.
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Gilmar Queiroz
Lindo conto, realmente nada vale a vida sem amor. Parabéns pelo texto. Você visitou minha escrivaninha a 15 anos atrás, gostaria que voltasse lá poetisa, para ler minhas novas poesias.
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Daisy Zamari
Conto reflexivo.Cenas fortes de amor materno...Aplausos!


Imagem de cabeçalho: inoc/flickr