


O jeito é ler para crer
Após a leitura de um best seller light como Um teto para dois, estou lendo A coreografia do adeus, de Aline Bei, ( finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo). Diante a capacidade inventiva de um, para o jogo profundo de metáforas do outro onde a beleza da narrativa borda os caminhos da tristeza como se costurasse nossa pele nela; fico de queixo caído.
Nem há como comparar os dois livros, haja vista um se trata de uma felicidade batendo na porta e o outro destripa as angústia de um coração jovem e sofrido.
De qualquer forma, a força da fantasia na literatura revela novas formas de escrita. Você conseguiria imaginar duas pessoas dividindo a mesma cama sem nunca se encontrarem?
E a dor do abandono sendo contada feito um poema morto? Somos tomados pelo realismo imediato das sensações que sentimos ao ler. A autora veste a realidade de fantasias embelezando dramas da existência.
Já no teto para dois a fantasia vem para desenhar a felicidade de formas tão improváveis. A autora prende o leitor sutilmente e ele gosta, já sabe que o final será feliz e gosta… Será que precisamos destes recursos para fantasiar um mundo melhor? Se precisamos, a literatura oferece.
