


Júlia não era do tempo em que se jogava roupas do marido pela janela quando queria que ele fosse pro raio que o partisse. Agora, no máximo jogaria palavras com D, como descarado, desgraçado e demitido do seu coração. E todo não dito, para não baixar o nível não iria para o ralo, ficaria ruminando no peito fruto de palavras falsas e outras não gentis.
Prates, por sua vez, deu dois dias para que sua falta fosse sentida e amargurada; tão logo imaginou ser o bom momento, vestiu-se com charme, calibrou-se com flores e um bom vinho. Chegou até a procurar umas palavras bonitas copiadas de uma revista… Ela amoleceria e lhe daria o perdão. Acaba o amor não, mundão!
Tocou, tocou a campainha, tocou em vão. Foi até o vaso verde de planta atrás da casa em busca da chave de emergência. Ali não tinha chave e nem paciência. O bilhete parecia um canhão de guerra disseminando ódio pela atmosfera.
“Aposto que está com flores em mãos! Pode levá-las para o enterro do seu coração mentiroso que não mais me interessa. Pode ir morar com Tereza, que lhe fará festa. Não sou mais a que te perdoa, sou a que te despreza e já entrei com medida protetiva. Some da minha vida.”
Esquecido das belas palavras decoradas e de sua boa intenção ao voltar para a vaca, Prates forçou a porta dos fundos, que não cedeu. Quebrou a vidraça que com seu sangue mexeu e deixou escrito com ele: essa casa é minha! E você também, vadia! Pro inferno a sua medida protetiva.