


Tema: meio vilão, meio mocinho.
Eu nunca fui o santo da casa. Também nunca quis ser como meu irmão, Júlio, viciado em garotas, baladas e trabalho que é bom, nada. Me chamam de boa praça, embora eu saiba das minhas poucas vilanias. De tantos maus exemplos do Júlio, não tinha como escapar. Aprendi com ele a quebrar roseiras alheias desde cedo. Ele o fazia por arte e eu o fiz por Ana Maria. Mais tarde as coisas que fui fazendo por Ana Maria, aumentaram.
- Olha, o cara sai do bar toda sexta trançando as pernas. Um leve empurrão nele e você se desculpa, ajuda ele a se levantar e leva o relógio junto. Depois a gente negocia a peça.
Me senti um merda, mas quando vi, já tinha feito. O pior não tardou a acontecer. O Jaques contou pro Nilo. O Nilo era doido com Ana Maria e a história chegou nela. Ela devolveu os brincos semi folheados que fora meu último presente.
- Brother, se quiser te ajudo a quebrar a cara do Nilo.
- Se eu fizer isso, ela vai me desprezar mais ainda.
- Vai fazer o quê? Vai voltar a ajudar velhinhas a atravessarem a rua?!
- Vou arrumar um emprego.Isso, sim!
- Quem mandou você gostar de garotas certinhas?
- Quem mandou eu ter um irmão como você?
Não adiantou nada eu trabalhar na oficina do Carlos. Ana Maria se firmou com o Celso da farmácia. Agora tô de olho em uma morena que mudou pra cá de pouco tempo. Ela faz parte de um grupo de jovens da igreja. Júlio já me disse gozando, que além de manter o emprego, terei que frequentar a igreja. Sabe o que respondi?
- Tô indo.
Marília L Paixão