Textos

DAS MULHERES QUE AMAMOS

 

 

Existia um relógio em meu pulso alguns carretéis de linhas atrás, agora não existe mais. Deve ter ido descansar das tantas horas que trabalhou incansavelmente. Nem penso nele enquanto fito os quadros da parede, que sequer reclamam da poeira quase invisível, mas testemunha da labuta diária que minha mãe enfrenta. Uma, para se manter de pé; outra, para se manter altiva e a terceira para se alimentar e manter a casa limpa. Dou graças a Deus por tudo que ela consegue com ajuda de um filho que lhe beneficia e ao mesmo tempo destrói. 

 

Mães não deviam morrer, peço a Deus que lhe dê muitos anos de vida. Tive que deixá-la sem meu suporte, sem minhas idas ao supermercado, sem passeios onde poderia levá-la e principalmente sem a segurança de não ser obrigada a fazer nada que não quisesse. Fora as do medo de abrir a porta e lidar com estranhos. Meu algo agora é a sensação de não ter feito o bastante. A gente peca ao ter nossas imperfeições misturada à dos outros.

 

Parti e voltei para os meus próprios problemas. São tantos! E eu disse para minha companheira: Temos muitas coisas para resolver. Resolva você. Foi o que ouvi. Não quero resolver tudo sozinha, Repliquei. Eu não sou sozinha! Na verdade, temos que entender a pouca disposição física do outro. Tenho que renovar as forças e tomar frente. Foi o que ela sempre quis e continua sendo... Mudar algo agora é tarde para uma vida a dois construída a anos.

 

Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 01/10/2025
Alterado em 01/10/2025
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