


Jasmine dormia enquanto seu corpo ainda nadava no mar escuro e gelado do oceano. O fato dela estar nadando naquela quase escuridão parecia mais impossível que O impossível, um filme onde uma mãe tentava desesperadamente, salvar um filho. Mas o que parecia real enquanto na água cheia de destroços era que o cenário estava mais para um naufrágio que para um tsunami. Definitivamente, se estava tendo um sonho, precisava aprimorar suas lembranças para saber que pesadelo estava vivendo ou de que filme vinha aquilo. Que destroços eram aqueles? Restos de navio? Seria o TITANIC? Não. Ao seu lado não havia nenhum Leonardo de Caprio. Tentou lembrar se antes de dormir estava em alguma piscina de hotel com a família. De novo a imagem de crianças pipocavam em sua mente, mas ela não tinha nenhuma criança. Tinha ou não tinha? Não tinha. – Meu Deus, preciso acordar deste longa-metragem. Quero sair desta viagem, senhor. Jasmine não sabia se estava num resort na Tailândia ou num navio luxuoso na Inglaterra, mas como em ambas possibilidades suas chances de sobrevivência eram 0,1 ela preferia descer do sonho em qualquer estação e fazer a troca do cinema por ondas de um rádio. E se pudesse trazer algo junto, seria melhor estar no navio onde Kate Winslet havia ganhado o tal colar de diamantes chamado coração do oceano; com este colar ela não seria mais a imigrante mexicana que trabalhava limpando cinemas. E não teria a preocupação de como pagar o hospital tão logo se curasse dos delírios da pneumonia.
