


Foi embora a chuva. E embora tenha deixado piscando um dos relógios da igreja, se silenciou tão rapidamente que nem deu tempo para que minhas palavras aterrissassem sobre o papel. Aquelas que pularam de minha alma no intervalo dos suspiros. Na verdade, gostei tanto da força da chuva que nem me importei com o fato dos algozes terem se antecipado. A noite seria longa. E sempre que tenho uma noite longa, luto por uma vida mais longa ainda. O único problema deste tipo de noite é a redução do meu curto tempo para dormir. Sono nunca me falta, por isso não há pressa em deitar quando não desmaio.
Lá fora venta tão gostoso que daria em versos o prazer de senti-lo, mas o som de fora é medonho. Melhor não sair nessas horas sinistras.
Ah! Voltou a chuva teimosa. Sorrio. Se eu não tiver dormido quando o despertador tocar, também não terei morrido. Só Deus sabe o tanto que mereço uma vida longa para compensar as noites longas e as curtas. E nem preciso mencionar o tanto que o mundo precisa de mais pessoas como as que represento e como
sou. Gosto de ser assim. Eu acho que não custa nada ser boa.