


Eram comuns os encontros do Juquinha da Célia e Castro da Edith no bar do Coronel às terças. Neste dia elas revezavam para folga de outras duas no brechó da Igreja. O Coronel, apelido de Zé Maria, por seu apego a armas, a ordem e ao sossego ( embora isso não combinasse com buteco ) se divertia com a conversa dos dois enquanto mantinha uma toalhinha no ombro após cada enxugadinha que dava em alguma mesa que desocupava. O assunto eram os pecados do mundo e pareciam disputar qual deles os tinha cometido mais.
-—Sou eu, uai! Já nasci de uma pulada de cerca da minha mãe. Herdei isso! Era um jovem de fácil libido e muito extrovertido, do jeito que o diabo gosta. Mas as mocinhas novinhas demais eu sempre respeitei, dissera Juquinha com certo orgulho.
—Então você é um pecador moderado,— Dissera, Castro erguendo o copo em direção ao Coronel para que ele renovasse a pinga. —Eu já chutei muito cachorro morto. Sempre fui bom de braço, muito impulsivo. Já maltratei muito bicho. Foi por conta disso que Santinha, minha primeira mulher, me deixou.
—Uai, Castro! E você deixou ela ir?!
Ele demorou um pouco a responder, como se sua dignidade estivesse em risco.
—Não queria não, mas o pai dela era delegado. E eu não sou de arma não.
Zé Maria não perdia uma palavra da conversa. Aproximou com um limãozinho partido caso alguém quisesse. Ele é que não vivia sem arma. Tinha participado de muita emboscada, fora o treinamento do exército. Bom conhecedor que era da vida daqueles dois, uma vez consolara Célia das traições do marido. Já com Edith, mulher mais bonita da comunidade, a história foi outra. Ela não queria e chegou a gritar, mas ele a convencera com o cano do revólver. E ameaçou dar fim a Castro caso ela contasse. Edith nunca mais atravessou a rua do bar, mas não fizera denúncia alguma.
Aqueles dois tontos não sabiam nada de pecado. —Coitados!
Marilia L Paixão
para o tema: Pecado.