Textos

O limoeiro -bviw

 

 

 

Dona Zilá sabia de tudo e todos que moravam na rua do limoeiro, conhecida como antiga rua da morte. Seu bisavô contava que os desafetos da gangue do caveira, eram levados lá para provar do limão e alguns nunca voltavam. Com o tempo e mudanças políticas deram fim ao limoeiro numa tentativa de findar a má fama. Propagavam o fim do terror e um ar de frescor propício a uma ambientação familiar. Algumas casas foram reformadas, mini moradias de sala, quarto e banheiro iguais, mas de cores diferentes, foram construídas. Instalaram até um postinho de saúde na rua. Não se ouvia mais falar das mortes do limoeiro, exceto por um ou outro caso de bala perdida.

 

Dona Zilá fazia que acreditava nos rumores soprados ruinha acima e ficava quietinha quando ouvia ruídos de botas dos soldados na madrugada. Até o barulho do carro era o mesmo. Sabia que estavam abandonando um corpo que só Deus saberia de onde vinha. Quando na manhã seguinte a polícia era chamada e lhe indagavam se não tinha visto ou ouvido nada a resposta era a padronizada. Ela tomava o remédio de dormir cedo e depois disso não escutava nada, nem trovões ou raios. Mas Já compreendera que havia ali uma rota de fuga perfeita e nenhum campo de visão disponível desde que um alto muro fora construído rodeando todo postinho. No entendimento de Zilá, o muro era como o limoeiro.

Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 14/01/2026
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