


Destaques - 11/02/2026
By Fátima Batista
Nunca uma tarefa foi tão árdua - ler tão belos textos, de riqueza estética, de complexos conteúdos, e decidir sobre quais escrever. E ainda, elaborar o que escrever. Vejo como um atrevimento de minha parte, ousar escolher, ousar analisar, ousar destacar. Mas por outro lado, é uma dádiva, amanhecer e ter como primeira tarefa ler e reler tais narrativas. Agradeço a todas pelo privilégio que me proporcionam.
Confissão - Gisele
Em seu texto, Gisele transita muito bem entre Fé e culpa, fazendo um questionamento relevante dentro da poética do microconto tão bem pensado e elaborado.
O ato da confissão, simbolizado pelas orações, sugere a prática católica de penitência. O texto questiona a eficácia do ritual religioso, mostrando que a consciência humana não se apaga com fórmulas prontas.
Há uma tensão entre a instituição religiosa, que oferece uma saída rápida para o pecado, e a dimensão psicológica, que não se resolve tão facilmente.
Parabéns pelo paradoxo.
Solidão - Ana Marcia
Ana Marcia em seu texto com ritmo pausado, quase meditativo, fato que reforça a carga emocional, sugere que o luto não se resume à saudade, mas à perda de um espaço de escuta e acolhimento. A avó não era apenas uma figura familiar, mas um porto seguro emocional. A morte, portanto, não cala apenas a voz da avó, mas também a possibilidade dela se expressar — a ideia de "sua própria mudez" se encaixa com perfeição. O texto tem uma força poética que toca tanto o campo íntimo, quanto o da experiência humana do luto. Ocorre uma mudança de tom - passa da ternura da escuta para a dor da perda, criando contraste entre vida e morte. A narrativa é emocional sem sentimentalismo extremo. Parabéns por tão bela narrativa.
O que não precisa ser dito – Suzete
O "sustentaram-se no olhar" indica profunda cumplicidade silenciosa, uma conexão que dispensa palavras. No entanto, há o dever coletivo - “voltar para os outros”. Esse fato contrapõe o momento íntimo à responsabilidade social ou familiar.
Suzete em seu texto, mostra o deslocamento entre um espaço íntimo e o chamado para o espaço dos “outros”.
O corte em “cama” funciona como recurso estilístico, abrindo espaço para outras interpretações. O olhar é usado como sustentação emocional.
Esse microconto tem uma força dramática. Faz pensar em uma narrativa maior, onde o íntimo e o social se chocam. Parabéns pela capacidade criativa.
Fátima Batista
TOP OF MIND
O tempo
Fátima Batista 4
Confissão
Gisele Leite 6
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