Textos

Só temos a Deus para contar - bviw

 

 

O fim da noite de Leonor tinha sido terrível. Suas visitas ao vaso sanitário com vômitos incontidos, fraquejavam tanto seu corpo a ponto de querer só deitar. Queria morrer a ver os restos de comida boiarem. Marcas de uma alimentação excessiva no conjunto da tarde. Não sabia se a culpa era do almoço, do bolo ou da pequena prova da torta de morango. E não é que veio a noite e teve esfirra e rosca lisa?! Tudo aquela hora parecia um grande eca! E mais a sensação de falta de ar e dutos de soníferos pela atmosfera.

 

Não tardou a dormir sem proteção alguma. Como resultado do descuido, acordou se sentindo dopada, com a língua dura, a boca repuxando a seca de um sertão inteiro, nem parecia que queria abrir. Tudo indicava que haviam lhe abusado dos músculos e das artérias.

 

Costumava dizer para as amigas:

- Nestes novos tempos, ninguém dorme com os anjos mais. Há estranhos sobre nós.

 

Tomou o banho e ainda assim o corpo queria cama. Antes de maldizer o que poderia ter lhe intoxicado, recorreu a uma música na voz de Caetano: Deus, cuida de mim.

 

Se vestiu lentamente e conduziu o corpo ao trabalho. Embora não esteja de todo, bem, tudo indica que ele está cuidando.

 

Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 11/03/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários


Imagem de cabeçalho: inoc/flickr