


O fim da noite de Leonor tinha sido terrível. Suas visitas ao vaso sanitário com vômitos incontidos, fraquejavam tanto seu corpo a ponto de querer só deitar. Queria morrer a ver os restos de comida boiarem. Marcas de uma alimentação excessiva no conjunto da tarde. Não sabia se a culpa era do almoço, do bolo ou da pequena prova da torta de morango. E não é que veio a noite e teve esfirra e rosca lisa?! Tudo aquela hora parecia um grande eca! E mais a sensação de falta de ar e dutos de soníferos pela atmosfera.
Não tardou a dormir sem proteção alguma. Como resultado do descuido, acordou se sentindo dopada, com a língua dura, a boca repuxando a seca de um sertão inteiro, nem parecia que queria abrir. Tudo indicava que haviam lhe abusado dos músculos e das artérias.
Costumava dizer para as amigas:
- Nestes novos tempos, ninguém dorme com os anjos mais. Há estranhos sobre nós.
Tomou o banho e ainda assim o corpo queria cama. Antes de maldizer o que poderia ter lhe intoxicado, recorreu a uma música na voz de Caetano: Deus, cuida de mim.
Se vestiu lentamente e conduziu o corpo ao trabalho. Embora não esteja de todo, bem, tudo indica que ele está cuidando.