


Orgulhosa dos pais professores, Joana queria fazer Letras. Seu pai conseguiu dissuadi-la; afinal, o Direito abriria muitas portas. E abriu. Acabou arrumando um bom emprego, mas não gostava dos olhos por vezes, injustos, da lei. Não desistiu de uma profissão mais acertada e entre justiça e julgamentos, se aderiu a justiça da informação. Seu brilho chegou à TV. Mais pra frente chegou até onde não se conseguiria ver. Não chegou a se transformar em uma agente secreta. Passou a fazer parte das pessoas quietas, que não escolhem caixão, terra, rio ou mar.
Seu pai definhava dia após dia e a esposa não tinha como não ouvir seus resmungos solitários repetidos.
- Fosse ela professora, ainda estaria aqui.
- Fosse ela professora, estaria aqui…
Inúmeras vezes a esposa tentara lhe provar o contrário.
- Não foi culpa da informação, foi culpa do brilho, Nico. Talvez uma maldição do sucesso. Em nada que ela escolhesse fazer, seria pouco. Os homens não se acostumam é com isso.