


Depois de ser mestre de obras, Joaquim deu pra ser também, o mestre das reclamações. E assim como odeia sol num dia quente, reclama das chuvas dos dias frios, tendo elas caído ou não.E se transpirar lhe faz mal, meu Deus, como eu ouço. Parece até que sou responsável pelo que o termômetro marca. Já não basta eu levar a culpa de seus atrasos no serviço mesmo quando lhe bate uma diarreia já com a chave na porta.
E lá vai Joaquim maldizendo os estranhos no trânsito :
- Anda seu lerdo, anda!
Em dias comuns Joaquim reclama se enxerga uma minúscula espuminha de creme dental na pia. Reclama do peso das compras, das moças que são velhas para roupas muito curtas e que o corte do meu cabelo não ficou como devia.
- Os cabelos são meus, Joaquim. Foram cortados do jeito que eu pedi. Deixe que eles caiam sobre meus olhos.
Que se eles ocultarem alguma tristeza, tá longe dele perceber. Acho que Joaquim sofre é de excesso de dores no corpo, que se fosse reclamar delas, de mais nada poderia.