


Nunca fui de questionar a existência até ficar madura o bastante para entender a importância de saber das coisas. Assim fui descobrindo que as pessoas sábias erram menos, o que não significa que vivam com mais profundidade apesar de todo senso de clareza. De qualquer forma sou bem grata a educação que tive. Sou grata inclusive pelas poucas posses que me ensinaram a valorizar todas as conquistas.
Era grata pela comida farta à mesa mesmo sem muita variedade. Foi assim que aprendi a gostar de tudo. Lembro da minha primeira maçã argentina, primeira ameixa e pêssego sem ser de lata. Desde menininha sabia a diferença das bananas, maça, prata, ouro. Nanica era a de todo dia. Carmem Miranda eu nem conhecia.
Assim como lojas de departamento, perrengues, e mudanças espaciais, muitas outras frutas eu vim a conhecer no exterior. Saborosas e lindas. Se as pessoas fossem como frutas, seriam todas boas?
Que foi boa a educação que eu tive, foi. Me fez humana, sensível e solidária. Me fez amar as pessoas com facilidade. Eu nem sabia que nutria em mim o gostar, como uma filosofia do viver.