


Eu não tenho nenhuma canção para ouvir, que alguém tenha feito para mim, mas é tão bonito ouvir a Bethânia cantando uma canção do Roberto. Ela, que era a maninha que supostamente enviaria para o Caetano, um pouco do verde que a cercasse no período de seu exílio. Ela que para ele era a senhora do engenho.
Ela, que na época jamais saberia que tudo que musicalmente ela fizesse, encheria céus e terras de verde. Ela que é uma intérprete do mundo com irretocável emoção. Canta a cidade, canta o sertão, canta poemas de mais de uma geração…
Numa noite de lua desolada como a de hoje, ouvi-la faria com que eu me desfizesse de qualquer nó de lágrima, porque suas músicas encantam a alma da gente. Sem espaço para ouvi-la, e com a força de quem permitir-se chorar seria um descuido, viro o disco. Esqueço canções de amor. Nem lembro de cartas ridículas como as do poema por ela declamado.
Que armaduras precisamos usar para enfrentar este mundo incerto? É preciso abraçar o amor de tudo que pode ser criado para evitar a solitude e principalmente sermos gratos pela voz que tanto prazer tem nos ofertado vida afora.
Marília L Paixão