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NUTELA - BVIW 

 

 

 

 

A vida sobre a janela do carro corre veloz, mais veloz que o carro, não é vista direito. Eu sempre digo que a pé se avista mais que no modo itinerante. Eu nunca corro demais, principalmente em visita a outra cidade. Gosto de olhar as pequenas coisas.

 

Estava parada no semáforo de uma rua mais estreita que larga. De um lado um casal de rapazes de aparência gay estavam em estado de sorrisos. Do outro lado um homem ameaçava a mulher num tom que do carro deu pra ouvir. - Coitada! Pensei. E era até bonitinha a mulher de uns 30 anos, vestida pobremente com um filhinho no colo. Ali residia sua riqueza. Provavelmente todo seu amor residia ali. O menino esboçou um sorriso pra mim. Acenei um oi e arranquei no sinal verde.

 

Pulei o próximo semáforo. Tudo verde a caminho. Continuei devagar no centro urbano a tempo de reparar as lojas e encontrar uma padaria. Não foi difícil estacionar. Difícil foi imaginar o que aconteceria com aquela mãe, cujo marido parecia em raiva desmedida enquanto a criança de colo ingenuamente ria sacolejando no colo magro da mãe. Tomara que não perca seu porto seguro. Tomara que eu encontre um café bem quente.

 

Bem que eu poderia não ter perdido a ponte provisória do dente quando comi o pão de queijo recheado de nutela.

 

Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 12/08/2026
Alterado em 12/08/2026
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