


O chão da terra pode até ser o mesmo, mas nada se encontra como a 53 anos atrás. Nem as árvores são as mesmas, nem o cheiro do pasto. O curral não é mais tão perto da casa e nele… ( escondo uma lágrima escapada sem querer )
Por mais que tivessem sido fotografadas as passagens da infância, não foram. Por mais que tantas crianças tivessem corrido juntas até a cachoeira, com seus medos, não se machucavam todos os dias.
Por mais que pinguelas permitissem a travessia do córrego, havia quem desistisse. Subir mangueiras não seria o único desafio e menos ainda, catar mangas maduras antes que o gado as amassassem com suas deitadas à sombra.
Tirar água da cisterna e levar para uma pia perto do chão, tocar o sabão de pedra, lavar a louça com as primas, prestar atenção em tudo com o coração…
Os meninos apanhando batatas, colhendo espigas de milho. Tudo era tão natural e ao vivo. Agora, o curral que não é mais tão perto, não tem mais o Beto. Havia trocado a vida de vaqueiro pelo sonho americano. Trabalhou pela família com a força dos anjos. Passado uns anos, a aids roubou-lhe os sonhos; tomou-lhe a vida como se fosse um engano.